Abaixo à inclusão digital
Olá a todos.
Houve um tempo em que você era o cara mais legal do grupo porque tinha Internet. As pessoas precisavam de alguma coisa e você dizia: “Ah, leva uns disquetes lá em casa, aí amanhã eu trago pra você.” Isso ocorria por vários motivos:
- A internet era cara e as ligações telefônicas também (a internet era cobrada por HORA).
- A internet era terrivelmente lenta (se hoje falamos de 8 Mbps (que não vão chegar a 8 Mbps nunca*) para os links compartilhados caseiros, na época da internet discada, falavamos de 28.8 kbps, 33.6 kbps e incríveis 56 kbps. Mas, para quem não sabe (creio eu que 70% da população brasileira que acessa a internet, mas acho que a Tine talvez tenha uma estatística mais precisa), esses números devem ser divididos por 8 para que você tenha a velocidade em bytes, que é um número realmente significativo no mundo da informática de hoje. Ou seja, 33.6 kbps dava algo perto de 4.5 KB/s. Em outras palavras, uma velocidade de merda.
- Nos dias úteis, depois da meia noite, nos sábados após as 14:00 e nos domingos e feriados nacionais o dia todo, as companhias telefônicas cobravam o chamado “pulso único”. Ou seja, você podia ficar praticamente de sábado às 14:00 até segunda feira às 6:00 pagando somente R$ 0,04 de telefone. Isso, é claro, se sua cidade tivesse o luxo de ter um provedor de internet ou se a ligação não caísse, fato que era muito comum e que popularizou os chamados “aceleradores de download”.
Eu só não cheguei a usar o da embalagem rosa. *
Enfim, nessa época, éramos felizes e não sabíamos. Nossos filhos não ficavam colocando telefones das nossas casas no Orkut, era mais difícil de um tarado estuprar nossas filhas de 6 anos de idade e disponibilizar para montes de outros maníacos ficarem se masturbando alucinadamente, pessoas não perdiam dinheiro por clicar em links do tipo: “Seu CPF encontra-se irregular na Receita Federal. Clique aqui para retificar”.
O máximo que acontecia era comprar CDs piratas em camelôs (que o Ratinho dizia que estragam o aparelho de som), pegar emuladores de joguinhos de Mega Drive e Super Nintendo com o seu primo que conhecia um cara que veio de Minas Gerais que tinha um conhecido em Manaus e eventualmente alugar uns pornôs caseiros na locadora. Os golpes populares eram o do bilhete premiado, do carro que você ganhou a chave e só precisa fazer um pequeno depósito para resgatar e as armadinhas de se trabalhar em casa mandando um monte de dinheiro para investir com material.
Agora hoje em dia, com a vulgarização popularização da internet, vê-se qualquer um (entenda-se NÓS) comprando domínios na rede por oito dólares por mês, escrevendo o que vem à telha quando vem à telha, outro monte de idiota que abre o google e cata milho no teclado digitando qualquer coisa no máximo inteligível em português e acaba caindo aqui por acaso deixando comentários interessantes como os que seguem abaixo:
Poiiisss … realmente vc tm razão ! ahuahuhauh tah mtuh ingraçaduh essas olimpíadas… alias a pior do Brasil… q nem pra fabricar mais bom jogadores (q fazia mtuh bem) de futebol tah prestanduh Pff… Eeahhh agora vaih aguenta a argentina zuanduh o brasil… ngm merec!!!! flw… aki tah mtuh xou!!
Comentado em: Alegria das OlimPIADAS
Odeio miguxês.
Comentado em: Crianças Gostam do Titio Kubica
Nunca imaginei que tivéssemos leitores…
Os próximos comentários vieram do post Teste do amor verdadeiro… campeão de acessos pelas menininhas de 14 anos que acessam das lan houses do morro.
Minha amiga disse que não.
EU GANHEI!!!!
Vc é muito previsível!!!
Muda o repertório garoto!!!!
Comentado em Dicas para o seu relacionamento dar certo
Eterna Patrícia… deve morrer de amores por mim até hoje. Lamento, mas minha namorada é pelo menos um milhão de vezes mais inteligente e mais bonita que você. E desses dez reais, você me deve pelo menos uns cinco. Mas será que eu sou tão previsível assim?
Quatro, porra! Quatro. *
Mas foram esses dois comentários, também do Teste do amor verdadeiro que me motivaram a escrever esse belíssimo post:
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