Mico que acabou virando engraçado
Olá a todos.
Lendo um post da Papo de Homem escrito pelo Dr. Dick Maurício Garcia, decidi escrever sobre uma história que se passou comigo há muito tempo atrás, da época do terceiro colegial (ou Terceiro Ano do Ensino Médio).
Como toda escola, sempre tem um pessoalzinho que é mais zuado. Tinha uma menina lá na escola, chamada Tatiana, que todo mundo a tratava carinhosamente por… Tatão. A menina era horrível. E ainda por cima tinha um pequeno probleminha de dicção, fazendo com que todos a chamassem pelo nome de um Pokémon chamado Psyduck.
Psy…y…y…
Então… aí essas coisas, aliadas a um temperamento explosivo e uma certa dificuldade de relacionamento levaram essa garota várias vezes à sala do coordenador da escola. Como todo mundo tem um certo nível de paciência, a do nosso coordenador chegou ao fim.
Eis que certo dia, antes de começar um simulado, o nosso coordenador foi até a sala de aula dar os recados de vestibulares que abriram e essas coisas, até que ele começou o discurso:
“Pessoal, olha, eu queria falar sobre um problema que estamos tendo com uma aluna nossa, a Tatiana (alguém de longe grita: ‘Tatão!‘). Ela vem encontrando dificuldades com o relacionamento com vocês, e também vem reclamando sobre alguns apelidinhos (’Tatão!‘) (’Psy…y…y…‘). Então, já que a convivência está difícil a esse ponto, vamos fazer o seguinte: ninguém brinca com ela. Deixa ela quieta no canto dela e…”
No meio do discurso, Tatão interrompe:
- Pô, mas também não é assim! Eu tenho direito à minha vida social.
- Que vida social, Tatiane, você não consegue interagir com ninguém.
- Mas eu tenho…
Aí começou o tumulto na sala de aula… Quando eu fui comentar com uma amiga minha, fui acometido pela síndrome do Chaves. Um silêncio tomou conta da sala de aula e pôde-se ouvir em tom claro o suficiente para que Tatão escutasse:
- É, exclui ela e boa!
O olhar de ódio que ela me encarou nunca mais vai sair da minha memória. Se eu pudesse ligar meu computador ao meu cérebro por um cabo USB, eu juro que postava o vídeo dela me olhando e falando as palavras mortais: “Tinha que ser… tinha que ser esse idiota MESMO!!!“
E ela saiu da sala. Batendo fortemente os pés contra o piso de madeira e batendo com força ainda maior a porta de vidro sem olhar para trás. O nosso coordenador, sem entender, achando que tivesse sido com ele, baixou a cabeça, colocou uma das mãos no queixo e ficou pensativo.
Enquanto ele caminhava de um lado para o outro da frente da sala, um dos alunos começou a agitar um tumulto olhando pra mim (ele conseguiu, também, ouvir o que eu tinha dito). “Aeeeee, imbecil…”. Não demorou mais de três segundos para que o resto da classe acompanhasse o coro. Nisso, o nosso coordenador, observando, virou-se para mim, que não tinha qualquer vestígio de circulação sanguínea no rosto. Percebendo o que aconteceu, fez um sinal para a sala, para que todos ficassem quietos. Era a primeira vez que eu via o cara puto. O resto do pessoal também.
- O que que você falou?
- Ah… eu só falei o que…
Nisso, a sala novamente começou a gritar. Nosso coordenador, só olhou, fez sinal com a mão e soltou um shhhhh.
- O que que você falou? - quase sussurando de lá da frente, mas ainda assim, perfeitamente audível.
- Ah… (tremendo) eu só falei o que você estava tentando falar faz meia hora… ex…
Novo tumulto. Se o nosso coordenador estivesse armado, com certeza teríamos uma nova Columbine em Porto Feliz. O coordenador, aos berros e pulando, disse:
- Puta que pariu!!! Será que vocês não têm um mínimo de educação??? PORRA! Eu estou tentando entender o que esse moleque falou e vocês não deixam!!! Caralho! Fala, o que que você falou pra menina?
- Ah, eu só falei o que você tava tentando falar há meia hora. Exclui ela e boa.
Isso soou como uma bomba para ele. É claro que ele estava querendo excluir a menina chata. Mas na posição em que estava, não poderia sugerir isso nunca.
- Donizete… (esse era o nome do coordenador.)
- Fale, Borin.
- Posso ir lá pedir desculpas?
Nessas horas, podia ouvir todos os alunos segurando para não rir.
- Pode. Por favor.
Eu saí, de cabeça baixa. Uns dois ou três, tentaram de novo mais um “eeee imbecil”, mas o Donizete suprimiu todo mundo só de olhar. Ele realmente estava puto.
Chegando no pátio, a cena que eu vi seria até triste, se a menina não fosse tão feia. Chorava muito. Ao lado estavam uma servente (já falecida) e uma inspetora de alunos.
- Tatiana, posso conversar com você um minuto?
- Não, eu não quero conversar com você, nem com ninguém. Eu vou no fórum hoje dar parte de todo mundo que fica zoando comigoooooo!!!!!!! (aos berros e choro e soluço e tudo mais)
- Mas eu falei com o Donizete e ia vir aqui falar com você.
- Mas eu não quero saber. Você vai ver, eu vou processar você, vou processar todo mundooooo!!!
Eu, já puto da vida, comecei:
- Ah, quer saber, VÁ TOMAR NO CU! Quer ir falar com o Juiz, vá, e vá se foder também! Corra lá na merda do forum e fale pro juíz que o pessoal fica tirando sarro de você na sala de aula. Sabe o que ele vai fazer? Vai dar risada da sua cara e ficar te chamando de TATÃÃÃÃOOOOO!!! PSY Y Y!!!!
A menina irrompeu no choro e começou a me mandar ir embora. A vice-diretora chegou e chamou a menina para ir embora. Eu falei para as inspetoras que tinha tentado e subi para a sala. Eu fiz a prova, a menina, não.
De tarde, teve aula. No final da aula, a menina chegou para mim, toda calma e disse:
- Olha, eu queria pedir desculpas pela forma como eu te tratei hoje cedo. Eu sei que você só queria conversar comigo, mas eu mal te deixei falar.
- Tudo bem. Só não volte a fazer esse tipo de coisa, porque é um clima extremamente chato e desagradável.
Ela sorriu e foi embora.
Duas semanas depois, eu voltei a falar com o Donizete. Não por vergonha ou qualquer outra coisa, mas por falta de oportunidade mesmo. Fui perguntar alguma coisa para ele sobre vestibular e ele disse:
- Luís (meu primeiro nome, pra quem não sabe), vem cá… eu andei pensando sobre o que você falou aquela vez.
- Qual? (F O D E U ! ! !)
- Da Tatiana. Sabe, eu gostei da sua atitude. “Exclui ela e boa”. Sabe que ela até melhorou? Nunca mais foi reclamar de nada pra mim, e está bem melhor como pessoa.
- Bom, Donizete, na verdade, eu só falei o que você estava…
- Não, não, não… foi mérito exclusivo seu. Que idéia! Que iniciativa! Parabéns!
- Obrigado.
Moral da história: Tire sempre a sua dúvida primeiro… eu até hoje não lembro qual pergunta eu ia fazer sobre o vestibular.
Sem mais,
Borin, que prestou ITA e IME, mas acabou fazendo FATEC por ser mais perto de casa (e também porque não passou nesses outros vestibulares, mas isso é só um detalhe).
Compare preços de filmadoras, porque momentos assim deviam ser registrados para sempre.
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outubro 1st, 2008 at 10:57 am
Um texto desse tamanho e não teve nada de engraçado…
novembro 8th, 2008 at 9:32 pm
[...] na escola para acertar umas contas com um cara que zoava ele. Não, não era eu. Fiquem sossegados. Apesar de tudo,
novembro 25th, 2009 at 12:55 pm
Uhauhauauaha
raxei com esse texto!!me lembra um caso de minha antiga escola tb!!
“Moral da história: Tire sempre a sua dúvida primeiro… eu até hoje não lembro qual pergunta eu ia fazer sobre o vestibular.”
ADOREI!!!
dezembro 28th, 2009 at 7:10 pm
Cara, a frase “exclui ela e boa” não faz sentido… o que isso quer dizer? 4 palavras que não fazem sentido entre si…
janeiro 1st, 2010 at 5:15 pm
@asdasdas,
quer dizer que você é um imbecil…